8972 jogadores “auto-excluidos” de apostas online

A possibilidade de ganhar dinheiro rápido com apostas online está a cativar cada vez mais pessoas. Tal como está a aumentar o número de viciados.

Em apenas oito meses, 8972 pessoas já pediram para serem impedidas de apostar em sites online registados em Portugal. Isto num universo de  mais de 340 000 inscritas nas quatro empresas que já receberam do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) a licença para operar em território nacional. A primeira foi atribuída a 25 de maio do ano passado. Ou seja, em média, 37 jogadores pedem às empresas que cancelem as suas contas – podendo esse pedido ser temporário ou definitivo.

Os dados fornecidos ao DN pelo SRIJ mostram ainda que existe uma grande diferença de pedidos de exclusão quando se compara o jogo online com os casinos. Neste caso, juntando os três anos mais próximos em que há dados oficiais, o número de jogadores autoexcluídos foi de 1495, assim divididos: 2013 – 474 apostadores; 2014 – 488, e 2015 – 533.

Os dados agora conhecidos, de inscritos nos sites e de pedidos de impedimento, mostram, por um lado, o sucesso que estas plataformas estão a obter e, por outro, a possibilidade de aumentarem o número de pessoas viciadas em apostas. Principalmente de jovens.

Tendência que já tinha sido destacada no relatório European School Survey Project on Alcohol and Other Drugs (ESPAD), um estudo europeu junto de estudantes. Segundo o documento, e no caso dos jogos online, 20% dos alunos inquiridos admitiram esse vício – jogaram com regularidade (quatro ou mais dias em sete). A média europeia é de 23%. No entanto, quando questionados sobre as apostas em dinheiro, dos 23% que admitiram jogar através da internet só 3% dos europeus disseram que o faziam a dinheiro – no nosso país foram 2%. Frise-se, todavia, que, no caso de Portugal, a legalização do jogo só aconteceu no final de maio e o relatório foi divulgado em setembro, ou seja, com muito pouco tempo para uma análise a esse fenómeno.

Os smartphones e a moda

O número de jogadores registados e os pedidos de exclusão acabam por estar na linha da realidade que o Instituto de Apoio ao Jogador (IAJ) conhece.

Pedro Hubert, psicólogo no instituto que trabalha na área das dependências do jogo e autor da tese de doutoramento “Jogadores patológicos online e offline: caracterização e comparação”, lembrou em declarações ao DN que chegam ao instituto pedidos de ajuda – na maioria dos próprios jogadores, segundo Pedro Hubert – semanalmente. São jovens (“estão num estado de dependência pelos 30 anos”) e licenciados. “Têm capacidades que não existem noutras dependências”, reconhece. Alertando para o facto de este ser um vício “invisível”. “Passa despercebido até a pessoa ter problemas financeiros”, sublinhou.

Para uma pessoa se tornar um dependente do jogo online não é necessário muito tempo. “Entre o início do jogo a dinheiro e a decadência podem bastar três ou quatro anos. Pode ser mais rápido, dependendo do marketing, da moda”, acrescentou.

Aliás, a moda e os telefones são dois dos potenciadores do vício. “O póquer está na moda outra vez. E os jogadores podem apostar tanto no trabalho como no telefone quando regressam a casa”, adiantou. “Com os smartphones foi explosivo, tanto no póquer como nas apostas desportivas. O facto de ter as aplicações no telemóvel faz que estejam sempre a ver os resultados, à procura de informações sobre os jogos.”

Pedro Hubert realçou ainda as quatro características que mostram que se pode estar no caminho de se tornar dependente deste tipo de jogo. “Perda de controlo, ou seja, gastar mais dinheiro e tempo do que se esperava; troca de prioridades, dar menos atenção à família e ao trabalho; síndrome de abstinência – se não puder jogar por não ter dinheiro ou internet, fica irritado e insuportável; síndrome de tolerância, vai aumentando a quantidade de tempo e dinheiro que joga.”

A justificação para esta dependência passa pela procura de “adrenalina e euforia”. A tentativa de ganhar dinheiro sem trabalhar também é um dos motivos para as horas que muitos jogadores passam nos sites de apostas. “E há a disponibilidade. Pode-se apostar 24 horas por dia, sete dias por semana”, lembrou Pedro Hubert.

A finalizar deixa um alerta: “O jogo em si não é um problema, há sim uma minoria de pessoas que tem esse problema.”

fonte Diário de Noticias

O Aposta Legal relembra que caso tenham um problema com o jogo online, podem entrar em contacto com:

    • SICAD – Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências:
      • Linha Vida:
        • Aconselhamento por telefone: 1414 (entre as 10h e as 18h);
        • Aconselhamento por e-mail: [email protected]

Caso queiras fazer testes de controlo, para saber se estás viciado, usa este site:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *