“Ja foram feitas mais de 1 milhão de apostas no PLACARD”

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“Chama-se Placard e existe há menos de duas semanas. Mas, acredita o administrador executivo do Departamento de Jogos e vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, revolucionará o mercado. O milhão de apostas já foi pulverizado e os apostadores, assegura, estão rendidos ao novo jogo social.
— O Placard, o novo jogo social, está no mercado há menos de duas semanas. Que balanço pode já ser feito?
— Muito positivo. Quer do lado dos Jogos Santa Casa, quer, creio, também do lado dos apostadores. Confesso que nunca pensei ver os portugueses a apostar, e os finlandeses não me levem a mal, na Liga finlandesa. Foi uma grande surpresa para mim. Os apostadores estão a gostar muito. E mostram muita sabedoria! Inclusivamente os nossos parceiros franceses, com quem estamos em estreita colaboração, estão muito surpreendidos com o sucesso dos apostadores portugueses.
— E é possível quantificar o volume e o valor de apostas?
— Ainda não tinha terminado a primeira semana de exploração e já tínhamos dobrado o cabo do primeiro milhão de apostas. Quanto ao valor estamos a falar de apostas de baixo valor, o que também era de esperar porque os portugueses são comedidos na experimentação. Mas estamos a caminho dos dois milhões de euros. Amanhã [hoje], tendo em conta os jogos do fim de semana, entusiasmantes e apetitosos, em especial o FC Porto-Benfica, já teremos dobrado esse valor.
— Qual é o tipo de aposta que predomina?
— O futebol é dominante. Embora haja apostas no ténis e no basquetebol. Também era esperado que assim fosse, é normal que os primeiros a experimentar o jogo sejam apostadores, por exemplo, do Totobola, atuais e antigos.— Isso faz perigar o Totobola?
— Não. Aliás, e foi uma das coisas engraçadas que já vimos, este jogo vai ajudar os apostadores a reconciliarem-se com o Totobola.— Acreditam mesmo nisso?
— Não só acreditamos como já verificámos que o Totobola subiu. Quanto? Ainda estamos muito no início, não me quero precipitar. Mas a tendência é ascendente.— Alguns apostadores queixam-se de que as cotas são mais baixas do que as oferecidas por outros operadores. Como explica isso?
— A grande diferença é que neste jogo explorado por nós os apostadores recebem os seus prémios. Na hora. De facto, a cota pode ser um bocadinho mais desfavorável, mas recebem quando quiserem. Isso é um mundo de diferenças, porque essa facilidade para receber os prémios não é prática comum em muitos dos operadores online, que não têm rosto, não têm responsável. Em suma: o valor da cota é menor? É. Mas aqui está a falar-se de um operador sério. Agora, as pessoas têm de fazer uma escolha: se querem jogar num operador sério ou não. Quando a esmola é grande, o pobre desconfia. E quando o pobre não desconfia é uma maçada para o pobre…— Não temem que a disponibilização das licenças para a exploração do jogo online possa de alguma forma esvaziar o Placard?
— De maneira alguma. Confiamos que a maioria dos portugueses vai continuar a querer ir jogar ao mediador, onde pode acompanhar os eventos. O apostar tem uma componente social fortíssima. Por isso, estou convencido de que a nossa oferta na rede física não vai ser afetada.

— Vão concorrer a uma das licenças para explorar o jogo online?
— Não é nossa prioridade. A nossa prioridade é desenvolver esta oferta na rede física e complementá-la com outro projeto que esta em curso e que tem a ver com as apostas mutuas hípicas.

— O feedback dos mediadores tem sido positivo, calculo.
— Sim, Temos 4800 mediadores que tiveram formação, mas também estão eles numa fase de aprendizagem. Este é o primeiro jogo que não e imediato. Há mediadores que estão já a ponderar colocar dispositivos que nós já disponibilizámos, com as aplicações que podem descarregar para os tablets, que ajudarão os apostadores a ver no momento, com maior facilidade, qual é o destaque do dia e que permite ajudá-los a preencher o boletim. É um processo de aprendizagem dos mediadores na relação com os apostadores. Mas temos sentido uma grande vontade.

NIF salvaguarda integridade desportiva

—A obrigatoriedade de apresentação do Número de Identificação Fiscal pode tornar-se um obstáculo?
— A obrigatoriedade de apresentar o NIF é apenas uma questão de segurança para o apostador. Não temos acesso aos dados da pessoa, não há qualquer cruzamento de dados. Serve apenas para garantia do apostador, porque se perder o talão ou se o roubarem pode reclamar o prémio.

—Mas é igualmente uma garantia de verdade em todo o processo, ou não?
— O legislador entendeu que devia proibir um conjunto de pessoas de apostarem. Os titulares dos órgãos de soberania não podem apostar, os juízes também não, enfim há uma longa lista de pessoas que não o podem fazer. Mas há umas que são óbvias e que faz todo o sentido que não possam apostar, caso dos intervenientes nos eventos. O jogador da equipa A não pode apostar no jogo em que participa. Se porventura tivermos algum sinal de alguma coisa que nos pareça não estar a correr bem é um elemento que ajudará as autoridades competentes. Trata-se por isso, também, de uma salvaguarda da integridade desportiva. Que tem de ser protegida ativamente. O fenómeno da manipulação dos eventos desportivos é muito mais real do que as pessoas possam pensar. No dia em que a integridade desportiva for posta em causa então será o próprio Desporto a estar em causa. Nós temos um papel ativo nesse aspeto. Fazemos parte do sistema mundial de monitorização dos eventos, que zela pela verificação de que tudo corre bem. Penso que é o grande papel que se espera do Placard. É aqui que se joga, é nesta oferta que se joga.

«O nosso objetivo não é maximizar as vendas»

— O Placard será decisivo para que as receitas deste ano ultrapassem os dois mil milhões de euros?
— Sem o Placard as receitas vão ultrapassar esse valor.

— Um recorde absoluto.
— Sim. Vou dizer uma coisa que parece hipócrita mas não é. O nosso objetivo não é maximizar as vendas, é, sim, que as pessoas que querem jogar o façam numa oferta legal, segura. Essa é a nossa missão. E fazer aquilo que nos parece o correto com o jogo a dinheiro que é devolver à sociedade o que a sociedade gasta com o jogo a dinheiro. E esse é um elemento completamente distintivo relativamente, por exemplo, aos operadores online. O apostador em Portugal sabe que se ganhar o prémio recebe-o, se não ganhar ou ganha outro apostador português ou é dinheiro que vai ser utilizado no financiamento das políticas sociais. Creio que hoje já não há português algum que não saiba que os lucros da atividade dos Jogos Santa Casa são para financiar as políticas sociais. Isso é também algo que faz com que as equipas que aqui trabalham fiquem com a sensação de serem uma espécie de voluntários pagos. É isso que sentimos. E é um privilégio!”

entrevista de Nuno Saraiva Santos para abola.pt

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